Nossos membros,
pernas, braços
pés e mãos,
frágeis como aço.
Mas aço não é frágil!
E a saliva espessa
nossas dores de cabeça
olhos que lacrimejam sem saber...
Nosso sentimento vago
nossos sentidos alienados.
Mas alienação não sente!
E nossa linguagem?
e essas mentiras
essas verdades
essas filosofagens?
Língua não é certeza
certeza não é verdade!
Mas e o nosso medo?
Medo de conhecer?
Sim, medo de conhecer.
Há sempre uma saída
outras tantas alternativas:
consome teu medo de conhecer
conhecendo a coragem.
Se tuas frases loucas não são cabíveis
empurra, força esta engrenagem
passa, de um em um, a brincadeira da vida
um telefone sem fio se narrativas
e conquista teu lugar no espaço
conquista teu tempo, tua imagem
conquista teu direito de ter horas
e dar minutos, conhecer infinitos
pega pra si aquilo que está oculto
assegura teu direito de ter vida
de escrever poesia, de contar suas nostalgias
toma pra ti, toma porque merece
rouba daquele que tem castelos
uma pequena carruagem
cria um roubo simbólico
faz justiça.
É justo e necessário
é justiça para quem?
São tuas as necessidades!
Mas não se envergonha
se necessita, toma para si
mas se fala em justiça,
pensa na justiça
que você, no dia a dia
simplesmente deixa existir.
É tão natural
mas natural sem natureza
e que ponto, e que pingo,
que porra de idéia, bit
ondas de televisão,
não são parte dessa tal de natureza?
Ou tudo se criou de um lugar escuro
que eu não pude, ninguém pôde,
abrir os olhos e enxergar?
Se foi assim, mostra-me onde esse lugar fica
que desta caixa preta, repleta de surpresas
troco - por certo -
minha vida por um par de asas
e sem chorar o adeus
vou-me embora a voar.
Mas e o medo de cair?
É outra face do medo de aprender:
aprende a suprimir o temeroso.
Aprende e voa, queima tuas asas no ar.
Wednesday, October 21, 2009
Thursday, September 24, 2009
Poema de tua ausência.
Se a gélida mão que é o sopro de teus ventos
em sentidos viciados traz o êxtase do gozo
o sóbrio choro, que é matéria do lamento
é escasso em tuas púpilas de ácido sulfuroso
Se já não mais contempla o divino, o maravilhoso
e o rochedo em tua frente não é feito de cimento
junta o pó que esvai sombrio de concreto tosco
e levanta teu castelo superior ao sofrimento
Teus pés que já cansados trilham círculos constantes
e resvalam vez ou outra nos umbrais do sorvedouro
bolhas de fraqueza se espalham corpo inteiro
porque já não tem mais força para usos desordeiros
Se os grãos que orientam, por ti não foram jogados
e o caminho de tua casa já é pálido e nublado
pede ajuda para aqueles que cruzam o teu caminho
mas distingue quem é lobo de quem é manso cordeiro
Expia enquanto pode, vê tudo e pode partir
mas leva em teu peito um sincero advertir
não precisa destas coisas que agora deixa pra trás
mas são elas que percebem a falta que já faz
dizem em vozes uníssonas: que saudade tenho aqui!
mesmo que errante, mesmo que cinzento
sangro hemorragias por sua ausência permitir.
em sentidos viciados traz o êxtase do gozo
o sóbrio choro, que é matéria do lamento
é escasso em tuas púpilas de ácido sulfuroso
Se já não mais contempla o divino, o maravilhoso
e o rochedo em tua frente não é feito de cimento
junta o pó que esvai sombrio de concreto tosco
e levanta teu castelo superior ao sofrimento
Teus pés que já cansados trilham círculos constantes
e resvalam vez ou outra nos umbrais do sorvedouro
bolhas de fraqueza se espalham corpo inteiro
porque já não tem mais força para usos desordeiros
Se os grãos que orientam, por ti não foram jogados
e o caminho de tua casa já é pálido e nublado
pede ajuda para aqueles que cruzam o teu caminho
mas distingue quem é lobo de quem é manso cordeiro
Expia enquanto pode, vê tudo e pode partir
mas leva em teu peito um sincero advertir
não precisa destas coisas que agora deixa pra trás
mas são elas que percebem a falta que já faz
dizem em vozes uníssonas: que saudade tenho aqui!
mesmo que errante, mesmo que cinzento
sangro hemorragias por sua ausência permitir.
Monday, September 21, 2009
Migalhas.
Quase sem querer
amigos, tantos e tão poucos
em caminhos diversos, mesclados
somem no relento e surgem ao seu lado.
Chegam assim, como quem não quer nada
entram sem bater, sujam as toalhas
usam seu banheiro, derrubam migalhas
e o que sobra noutros tempos,
são apenas as migalhas.
Pior do que a perda são as despedidas
alguns mais do que outros, esperam
decididos a abrir velhas feridas
cicatrizes pálidas, veias entupidas
do sabor de amizades, novos retratos
fotos coloridas.
E vão assim, arbitrariamente
deixando um vazio em corações e mentes
e quando nos damos conta
um postal adentra em nossa porta
contando o que já não era mais:
um dia somos apenas visita
somos passageiros
como tudo em nossas vidas
esperamos, por tanto tempo e tão pouco
pelo sorriso que já deixa saudades
em um canto escuro da memória.
Mas o sorriso mudou
são outros dentes
e a visita vira intruso
já que nada é permanente
somos então apenas um fio
um rastro que ressurge do passado
um vestígio do que fomos
do que foi, do que fui
uma triste, estática e empoeirada
velha foto colorida.
amigos, tantos e tão poucos
em caminhos diversos, mesclados
somem no relento e surgem ao seu lado.
Chegam assim, como quem não quer nada
entram sem bater, sujam as toalhas
usam seu banheiro, derrubam migalhas
e o que sobra noutros tempos,
são apenas as migalhas.
Pior do que a perda são as despedidas
alguns mais do que outros, esperam
decididos a abrir velhas feridas
cicatrizes pálidas, veias entupidas
do sabor de amizades, novos retratos
fotos coloridas.
E vão assim, arbitrariamente
deixando um vazio em corações e mentes
e quando nos damos conta
um postal adentra em nossa porta
contando o que já não era mais:
um dia somos apenas visita
somos passageiros
como tudo em nossas vidas
esperamos, por tanto tempo e tão pouco
pelo sorriso que já deixa saudades
em um canto escuro da memória.
Mas o sorriso mudou
são outros dentes
e a visita vira intruso
já que nada é permanente
somos então apenas um fio
um rastro que ressurge do passado
um vestígio do que fomos
do que foi, do que fui
uma triste, estática e empoeirada
velha foto colorida.
Sunday, August 16, 2009
Credo
Deus sereno
acolhe seu filho pequeno
que anda perdido e errante
nas vias de um mundo obsceno
Aparece, ainda que escondido
na água, no ar e no gelo
mostra sua face que é corpo
reflete seu rosto no espelho
Fala, diz, comunica
que faço ao sair do tormento?
pega na mão, segura em seus braços
fornece sossego que assim eu me sento
Espera demais de teus servos
que faz teu olhar tão distante?
precisam de ti aqui mesmo
um povo cruel, sujo e ignorante
E tal labirinto em você
tem mesmo alguma saída?
um fim que nos faça esquecer
do que fora nossa própria vida.
acolhe seu filho pequeno
que anda perdido e errante
nas vias de um mundo obsceno
Aparece, ainda que escondido
na água, no ar e no gelo
mostra sua face que é corpo
reflete seu rosto no espelho
Fala, diz, comunica
que faço ao sair do tormento?
pega na mão, segura em seus braços
fornece sossego que assim eu me sento
Espera demais de teus servos
que faz teu olhar tão distante?
precisam de ti aqui mesmo
um povo cruel, sujo e ignorante
E tal labirinto em você
tem mesmo alguma saída?
um fim que nos faça esquecer
do que fora nossa própria vida.
Wednesday, July 29, 2009
O mar que nos separa.
I
Logo pela manhã
o desencontro
a derrocada
a última esperança que se esvai
escorre pelo ralo
entupido de desespero
que não aparece nos jornais
muito ocupados com os preços
e os produtos
quanto vale um produto?
e uma vida? custa mais?
mas a dor, a decepção
estas estão presentes na vida
de cada um e cada dois
e cada mil
que se encontram com olhos vazios
com medo de não suportar
o peso que Deus nos dá
para carregar
e continuamos com temor
do que pode vir a acontecer
do nosso amigo a sofrer
dos dentes a ranger
de toda a droga do mundo
que alivia ou carrega?
quanto vale a sensação
se a vida não dá perdão?
vale a pena
viver em servidão?
ou viver livre
com toda a angústia
que não paga uma tragada
do remédio suicida?
O perigo mora em nossa esquina
e o aceite, a negação
dependem do espírito
do momento, da questão
e os caminhos
as convergências
os desfiladeiros da existência
são obstáculos presentes
somos todos penitentes
por um crime coletivo
que lentamente será punido
com pedradas no coração
que já não suporta
que bate à sua porta
clemente a pedir mais
mas não seremos um só?
nossas angústias
na garganta, nosso nó?
tão juntos, tão sós
pequeninos sem voz
será essa a igualdade?
mas o corpo reclama
a alma em chamas
o desentendimento
a incompreensão
reclusão
o mundo sem perdão
e uns poucos
como o que escreve
e o que chora
sofrem por perceber
ou intuir
que na diferença
no abismo que nos separa
na direção
em cada estrada
que tomamos sem nos consultar
cria-se um mar
que distancia mas não divide
e continuamos sendo um
incompreendidos
com olhares tão díspares
com paisagens tão longínquas
sem esquecer que lá no fundo
no fundo do mar que nos liga
encontramos uma só vida
que de tão diferentes
nossos sonhos convergentes
nos aproxima tão juntos
que seremos para sempre
diferenças iguais.
II
Quanto amor será necessário
para que o todo
não seja arbitrário
e a escolha não seja prisão?
Não teremos todos nós
um peito que sangra da mesma forma
um grito que ecoa do mesmo modo
uma tristeza que consome as mesmas coisas?
nossos pés não pisam o mesmo solo?
e os olhos, não vislumbram o mesmo céu?
não comemos os frutos da mesma terra?
não vivemos nós no mesmo planeta Terra?
Mas que há que nos separe
se não são os vinte reais?
que é para mim?
dinheiro para dormir em paz?
tudo sou capaz
a não ser enfrentar nossa distância
que corrói, me cansa
dançaremos a mesma dança?
não me deixe, por favor
perder de todo a esperança
numa vida que te dá tanta derrota
todo mundo precisa de uma vitória
você era minha vitória
a redenção que eu esperava
o ponto e vírgula que diria:
"tome fôlego meu camarada,
a vida continua"
mas começo a desistir
se já não o fiz
todos nós precisamos tanto
desta conquista
que nos daria uma pista
de onde mora
o homem feliz
que o poeta russo me disse
"parece que é no Brasil"
e eu continuo a procurar
achando que talvez possa ser eu
mas que a descoberta não vem tão fácil
é preciso beber do ácido
do fel
contemplar em pranto
o mesmo céu
dos que sofrem com motivo
que correm algum perigo
e continuam a respirar
de todos, o mesmo ar
ser ligados pelo mesmo mar
que forma nossa igualdade
em diferentes cidades
maior ou menor idade
idéias, erros, acertos
cada detalhe diferentes
que somados a um mesmo todo
constituem semelhança
impossível de não ver
mas fingimos
fingimos não perceber
pois assim se torna mais fácil
sustentar nossos pecados
sem o vizinho saber;
moramos todos na mesma casa
o mesmo teto, a mesma morada
o mesmo sangue nas mesmas veias
mas e os rostos?
pálidos, oprimidos
guardando nenhum sentido
que fazem eles, perecer ou fenecer?
a minha vitória
que talvez seja tarde
tornou-se já uma derrota
carece aparecer
pois na condição de animais
nós, que julgávamos
sermos imortais
partilhando memórias banais
frio e calor, desejos carnais
de tão diferentes
morreremos iguais.
Logo pela manhã
o desencontro
a derrocada
a última esperança que se esvai
escorre pelo ralo
entupido de desespero
que não aparece nos jornais
muito ocupados com os preços
e os produtos
quanto vale um produto?
e uma vida? custa mais?
mas a dor, a decepção
estas estão presentes na vida
de cada um e cada dois
e cada mil
que se encontram com olhos vazios
com medo de não suportar
o peso que Deus nos dá
para carregar
e continuamos com temor
do que pode vir a acontecer
do nosso amigo a sofrer
dos dentes a ranger
de toda a droga do mundo
que alivia ou carrega?
quanto vale a sensação
se a vida não dá perdão?
vale a pena
viver em servidão?
ou viver livre
com toda a angústia
que não paga uma tragada
do remédio suicida?
O perigo mora em nossa esquina
e o aceite, a negação
dependem do espírito
do momento, da questão
e os caminhos
as convergências
os desfiladeiros da existência
são obstáculos presentes
somos todos penitentes
por um crime coletivo
que lentamente será punido
com pedradas no coração
que já não suporta
que bate à sua porta
clemente a pedir mais
mas não seremos um só?
nossas angústias
na garganta, nosso nó?
tão juntos, tão sós
pequeninos sem voz
será essa a igualdade?
mas o corpo reclama
a alma em chamas
o desentendimento
a incompreensão
reclusão
o mundo sem perdão
e uns poucos
como o que escreve
e o que chora
sofrem por perceber
ou intuir
que na diferença
no abismo que nos separa
na direção
em cada estrada
que tomamos sem nos consultar
cria-se um mar
que distancia mas não divide
e continuamos sendo um
incompreendidos
com olhares tão díspares
com paisagens tão longínquas
sem esquecer que lá no fundo
no fundo do mar que nos liga
encontramos uma só vida
que de tão diferentes
nossos sonhos convergentes
nos aproxima tão juntos
que seremos para sempre
diferenças iguais.
II
Quanto amor será necessário
para que o todo
não seja arbitrário
e a escolha não seja prisão?
Não teremos todos nós
um peito que sangra da mesma forma
um grito que ecoa do mesmo modo
uma tristeza que consome as mesmas coisas?
nossos pés não pisam o mesmo solo?
e os olhos, não vislumbram o mesmo céu?
não comemos os frutos da mesma terra?
não vivemos nós no mesmo planeta Terra?
Mas que há que nos separe
se não são os vinte reais?
que é para mim?
dinheiro para dormir em paz?
tudo sou capaz
a não ser enfrentar nossa distância
que corrói, me cansa
dançaremos a mesma dança?
não me deixe, por favor
perder de todo a esperança
numa vida que te dá tanta derrota
todo mundo precisa de uma vitória
você era minha vitória
a redenção que eu esperava
o ponto e vírgula que diria:
"tome fôlego meu camarada,
a vida continua"
mas começo a desistir
se já não o fiz
todos nós precisamos tanto
desta conquista
que nos daria uma pista
de onde mora
o homem feliz
que o poeta russo me disse
"parece que é no Brasil"
e eu continuo a procurar
achando que talvez possa ser eu
mas que a descoberta não vem tão fácil
é preciso beber do ácido
do fel
contemplar em pranto
o mesmo céu
dos que sofrem com motivo
que correm algum perigo
e continuam a respirar
de todos, o mesmo ar
ser ligados pelo mesmo mar
que forma nossa igualdade
em diferentes cidades
maior ou menor idade
idéias, erros, acertos
cada detalhe diferentes
que somados a um mesmo todo
constituem semelhança
impossível de não ver
mas fingimos
fingimos não perceber
pois assim se torna mais fácil
sustentar nossos pecados
sem o vizinho saber;
moramos todos na mesma casa
o mesmo teto, a mesma morada
o mesmo sangue nas mesmas veias
mas e os rostos?
pálidos, oprimidos
guardando nenhum sentido
que fazem eles, perecer ou fenecer?
a minha vitória
que talvez seja tarde
tornou-se já uma derrota
carece aparecer
pois na condição de animais
nós, que julgávamos
sermos imortais
partilhando memórias banais
frio e calor, desejos carnais
de tão diferentes
morreremos iguais.
Sunday, July 12, 2009
O furto, a pergunta e a resposta interrogativa.
Desenhou a lápis um mapa no papel. Um esboço. Sem pulso firme, não muitas linhas retas. O que lhe interessa são as curvas; longas, fechadas, inusitadas. E o desenho mal feito e rabiscado serviria mais tarde para dar orientação a um homem, ou qualquer outra coisa parecida. As linhas traçadas se tornam pés, mãos, língua, linguagem. E nesta mesma voz escrita, um rio largo e profundo foi desenhado com tinta azul escura. No caminho o melancólico viajante se afoga. Bebe o que podia, sente escuridão. Os animais deram as mãos, fizeram preces inesperadas para a lua, que observava tudo com olhos de caçador. Um raio parte o amor que comovia as multidões. Os braços sangram, as mentes se distraem. A linguagem evapora. As letras passam pelo ar, acompanhadas de borboletas. E o viajante embriagado se bate em busca de alcançá-las. A borboleta é cor, é cores, é arco íris. E a letra imita o bater de asas, comovida por sua nova amizade. Voam muito alto, tal qual o mito, e queimam na estrela mãe. Lentamente as asas queimadas caem em seu cabelo. Um respiro profundo, um grito de pânico, um pedido de ajuda. E as asas se dissolvem com o vento, deixando o viajante sem um motivo condutor. Seu mapa esteve molhado o tempo todo. Esquecimento. O desenho não servia mais para muita coisa, a noite caía. E lá no céu, as letras brincavam, giravam uma ciranda apaixonada. Formavam poesia olhando a morte lenta dos pobres diabos. Pingavam lágrimas. As lágrimas eram espelhos. E seu rosto iluminado, lentamente fica pálido. Uma delas susurrou em seu ouvido: "Viemos buscá-la". E a poesia que morava em seu coração foge por seus orifícios, deixando o corpo estendido e sem vida na grama molhada. As tartarugas que se escondiam no leito escuro cantaram. As curvas chegam ao fim. Os ponteiros perdem o fôlego. Sua poesia brincava junto de suas iguais no céu estrelado. E um Deus embriagado meditava buscando respostas, quando num impulso criador as estrelas forjam posições que lhes davam um apontamento: Porque pergunta?, diziam elas.
Wednesday, July 08, 2009
Perguntas-poesias.
O destino,
para aqueles como eu
como nós
como erro
é esconder-se
em multidões de desfigurados
de medo, perfilados
com corações
e mentes
mutilados.
É tomar veneno
anestesia
que devolve o controle
e a maestria,
necessária
para a vida
com ironia.
Hoje, perco um amigo
com bom humor -
como é possível? -
perco um sonho
um milagre
uma chance
de enxergar
nesse mundo
ou em qualquer outro
um pedaço de vontade
que transforma
Como encarar
essa lenta agonia
dos semelhantes
gentis e melancólicos
outsiders como eu
que a vida não sacia?
Como escutar
o grito da necessidade
e esquecer da covardia
que nos move
dia-a-dia
ao tratamento
que atrofia?
Minha cabeça
pesa
quilos
de apatia
Como um câncer
que vai e volta
o pensamento
demente e desvairado
é tumor
motivo condutor
da história, propulsor.
E a utopia
de Cristo
redentor,
desde a infância
meu incondicional
salvador,
foi parar
na lata de lixo
da terra prometida
e nunca realizada?
Quem vai salvar
o salvador?
Quem vai livrar
a nossa dor?
Quem vai trazer
a verdade criadora?
Quem vai acabar
com as questões?
Quem vai questionar
formigas, bilhões?
Quem é quem
na vida
vadia
que tornar-nos
felizes
ia.
para aqueles como eu
como nós
como erro
é esconder-se
em multidões de desfigurados
de medo, perfilados
com corações
e mentes
mutilados.
É tomar veneno
anestesia
que devolve o controle
e a maestria,
necessária
para a vida
com ironia.
Hoje, perco um amigo
com bom humor -
como é possível? -
perco um sonho
um milagre
uma chance
de enxergar
nesse mundo
ou em qualquer outro
um pedaço de vontade
que transforma
Como encarar
essa lenta agonia
dos semelhantes
gentis e melancólicos
outsiders como eu
que a vida não sacia?
Como escutar
o grito da necessidade
e esquecer da covardia
que nos move
dia-a-dia
ao tratamento
que atrofia?
Minha cabeça
pesa
quilos
de apatia
Como um câncer
que vai e volta
o pensamento
demente e desvairado
é tumor
motivo condutor
da história, propulsor.
E a utopia
de Cristo
redentor,
desde a infância
meu incondicional
salvador,
foi parar
na lata de lixo
da terra prometida
e nunca realizada?
Quem vai salvar
o salvador?
Quem vai livrar
a nossa dor?
Quem vai trazer
a verdade criadora?
Quem vai acabar
com as questões?
Quem vai questionar
formigas, bilhões?
Quem é quem
na vida
vadia
que tornar-nos
felizes
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